quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A arte de ser Paulistana

A sensação que tenho todos os dias é de acordar correndo, de estar atrasada para qualquer coisa, até mesmo para escovar os dentes. Eu abro os olhos relutando com um sono perigoso, que chega a doer. E sentada na cama com vontade de nem mesmo ter levantado, dou um suspiro de desabafo com meu eu interior. Sentindo o desespero antecipado da minha jornada matinal a ser enfrentada.

Eu apostaria baixo ainda, se falasse que mais da metade dos Paulistanos fazem a mesma coisa que eu quando acordam, a outra metade é a que usa a soneca quase cinco vezes, até ter coragem de levantar. O café da manhã, é sempre em pé, engolindo, com pressa, ou na "padoca" da esquina. Me vê aquele ''pão na chapa'' ou então aquele pão de queijo, "Pra viagem é claro".

O fone de ouvido é imprecindivel, na verdade, é uma das únicas formas que o paulistano tem de fugir do alvoroço e acalmar um pouco a mente conturbada pela "muvuca"  infinita que é a grande SP.

Eu respiro fundo quando desço da lotacão, e em uma atitude de desespero quase que atropelando qualquer um que passar na minha frente, dou minhas passadas largas, como a de um queniano nos metros finais de uma maratona, em direção a maior prova de resistência de todas: O METRÔ. Enquanto olho a cada 5 segundos meu celular olho a cada 2 no meu relógio, e passando pela catrata  prendo o ar e solto tudo até o fim. A jornada começa.

Particularmente adoro a sensação, pois cada dia é uma surpresa diferente. O paulistano pode sentir varias sensações em um único momento. No momento em que está alojado dentro daquela capsula zipada chamada Metrô ( meu transporte querido de todos os dias).Existem seres abominaveis que ficam na esquerda da escada rolante, admirando a estrutura metroviarias, enquanto fala ao telefone com sei lá quem. Mas nesse momento me pergunto... que merda é  que esta pessoa está fazendo na esquerda, sonhando acordada?. Muitas pessoas são arremessadas de escadas rolantes por ai, e depois se perguntam, "mas o que fiz de errado? " Eu não aturo e subo cortando todo mundo. Afinal paulistano é tudo afobado.

No momento em que visualizo a plataforma, tudo acontece....

Posso me sentir levemente feliz, empolgada, raivosa, decepcionada, enfurecida, triste, desanimada, atordoada, confiante ... entres outras sensações.

A sensação de entrar em um forno, comprimido, faz até quem não sofre de claustrofobia, se sentir em pânico. Logo pela manhã ainda é possivel encontrar pessoas com odor de pinga, cheirando suvaco podre, com mau hálito ou se não com três quilos de perfume vagabundo, que comprou na 25, para esconder a real, de que não tomou banho há 2 dias.

Ser encochado, ou encochar, ali você não escolhe, ganha os dois de brinde, e umas cafungadas no cangote. Ou então come o cabelo da gatinha da frente, na exibição de um cabelo liso e sedoso. Para quem não tem a dimensão do aperto, eu vou ser mais clara. Eu já dei uma DEDADA no olho de uma mulher, que estava atrás de mim. Fui arrumar meu cabelo para trás, e acho que a coitada devia de certo estar tão perto que meu dedo foi direto dentro do olho dela, que estava aberto. Cheguei a sentir a aguinha da lagrima.

Meu segredo é fechar os olhos, e no brás, dar risada para não chorar.  As pessoas não tem educação, e entram como se fosse a chave para a sobrevivência. Empuram, socam e empurram de novo. O objetivo é entrar, não importa as consequências disso. Já vi pessoas serem pisoteadas, pessoas caindo na vala, pessoas chorando, desmaiando, vomitando, pedindo esmola, vendendo alicate de unha..          ( quando pensa que já viu tudo). E muitas pessoas reclamando, chigando, brigando.. todos os dias.


O Paulistano é ligeiro, esperto, malandro. O paulistano é irreverente, apressado e apressado. ele não anda, ele corre, passa maior parte do dia em pé, correndo ou sentando, mofando atrás de um computador, dentro de um escritório.

O Paulistano, não olha muito pros lados, e usa cores e roupas marcantes para tentar dar um ar de beleza a cidade mais poluida, e cinza do Brasil. se não está esmagado no metrô, está preso no transito, e vice versa. Andar de bicicleta é inviavel pelas inumeras ladeiras e buracos que temos em nossa cidade.

O paulistano, vive em uma bolha de problemas  e preocupações. É guerreiro valente, que trabalha aos finais de semana. O paulistano é agressivo em seu modo de ser, no sentido em que, corre contra o relógio e sempre tem alguma coisa pendente para resolver.

Paulistano é. Paulistano....

Bohemio das cervejadas, das pizzas, das baladas...
Do transito, do jogo, do trabalho.

Ser paulistano, é sobreviver em qualquer lugar, porque aqui não tem limites. e o resto dá pra aguentar
Ser paulistano é pegar metrô, comer milho no potinho, é curtir mais a noite, do que o dia. é passar 2 horas fácil no transito, é ser alguém ligado na arte, no esporte, em tudo, no mundo..

Me orgulho se ser paulistana, mas preferiria ser paulistana LONGE DE SP!

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